O que é ser uma mulher boa de cama pra você?
Pergunto porque, na maioria das vezes que ouço essa frase, ela vem carregada de um roteiro específico: fazer isso, fazer aquilo, gemer desse jeito, dobrar o corpo daquela forma. Um roteiro que, se você parar pra pensar de onde ele vem, tem uma raiz bem clara: o ideal pornográfico.
E não tem problema nenhum se esse roteiro faz sentido pra você. Se você se sente confortável, se é isso que te dá prazer, siga em frente, sem culpa nenhuma. A questão não é o que você faz. É o motivo por trás.
O problema não é o que você faz, é por que você faz
Muitas mulheres entram numa relação pensando primeiro em agradar o parceiro. Só nisso. E aí começa a fazer coisas que imagina que "é isso que ele gosta", "é assim que ele chega no orgasmo", sem parar pra perguntar se aquilo também é bom pra ela.
Aos poucos, isso vai te afastando de você mesma. Vai te levando por um caminho cada vez mais distante do que você realmente se identifica.
Se o que você entende como "ser boa de cama" tem a ver com quem você é, ótimo, continue. Mas se você se pega pensando "putz, eu tenho que fazer isso, mas eu não gosto, eu não tô bem, essa posição não é boa pra mim", é hora de repensar. Você não é obrigada a fazer nada que te deixe desconfortável.
O que acontece quando você se força a atuar
Na minha percepção, forçar um roteiro que não é seu custa caro de duas formas.
A primeira é pra você: fica difícil sentir prazer de verdade quando você está desconfortável. E qual é o sentido de estar numa relação sexual sem sentir prazer?
A segunda é pro momento a dois: quando você não está à vontade, isso fica evidente. A outra pessoa percebe que você não está no seu momento, não está no seu ambiente, e isso quebra exatamente a conexão que a relação deveria estar construindo.
Então esses dois pontos já são motivo suficiente pra gente ressignificar essa ideia.
O que é ser boa de cama, na minha visão
Hoje, depois de repensar bastante esse conceito, chego numa definição bem diferente: ser boa de cama é estar 100% presente no momento.
Não importa se é penetração, sexo oral (dando ou recebendo), uma massagem. O que importa é estar ali de verdade, querendo dar prazer, permitindo receber prazer também, sem neuroses, sem estar performando pra ninguém. É sobre ser você, com o seu gemido, com o seu som, na posição que faz sentido pro seu corpo, do jeito que te deixa confortável.
Pra mim, isso é o ponto mais importante de qualquer relação sexual. Porque numa relação sexual existe intimidade de verdade, existe conexão de verdade. E as duas pessoas precisam estar à vontade pra isso acontecer.
A presença de uma pessoa contamina a do outro
Repara numa coisa que também acontece fora da cama: você já entrou num ambiente tenso e, ao se soltar, percebeu que a pessoa ao seu lado relaxou também? Ou o contrário: chegou tranquila num lugar e viu alguém travado ficar mais leve porque você trouxe um clima mais aberto?
Isso também acontece no sexo. É fácil pensar "eu fico assim porque ele é travado" ou "porque ela é travada", mas a gente não tem controle sobre a mudança do outro. A gente só tem controle sobre a própria mudança. E, muitas vezes, começar a se soltar é o que convida a outra pessoa a se soltar também.
Você não precisa de um personagem
Se você chegou até aqui, talvez já esteja pensando em algo que você faz na cama só porque acha que é o esperado, não porque é genuinamente seu. Não deixe que ideais antigos, referências que nunca foram realmente suas, continuem comandando sua experiência no sexo.
Comece soltando a cobrança de fazer "certo". Preste atenção no que genuinamente te dá prazer, e permita que seu corpo reaja do seu jeito, sem tentar se encaixar num padrão que você viu em outro lugar.
Seja você. E, se quiser, depois me conta como foi essa experiência do antes e do depois lá no perfil da Désir no Instagram.
Beijo, até a próxima.
Bárbara Bastos, fundadora da Désir Atelier, terapeuta sexual e colunista da Revista Caras
